quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sem você

Acordo e te procuro em minha cama. Estou sem você. Mais um dia sem a manha matinal que faço quando estou com você. Tomo café e não é você quem prepara meu suco. Sento-me à mesa sem você para escutar minhas reclamações matinais. Saio para o trabalho sem o seu "bom dia" e sem seus palpites nos meus trajes workaholic. Se não te encontro durante o dia, foi porque evitei. Seria fácil achá-lo nos lugares que temos o costume de frequentar. Mas a vida prega peças e, sem querer, lá estamos nós trocando olhares em locais públicos. Não dizemos nada, o corpo fala. Os olhos transmitem a certeza daquilo que foi bom, mas também da mágoa de duas pessoas que se amam e estão separadas. Não há culpado, não há vítima. Não existe certo ou errado, bem ou mal. Chegaram ao consenso do não-maniqueísmo. Só sei que eu estou sem você e você já não me tem. Não sentirei mais seu cheiro quando, por saudade, recorrer a fungadas no travesseiro. Não deitarei no seu peito antes de dormir. Amanhã eu estarei sem você. Quando eu engravidar, estarei sem você. Você não buscará nosso filho na escola. Não vamos rir das caras toscas dos nossos parentes no casamento. Vou conhecer o mundo sem você, envelhecer sem você. Não vou chorar quando você ficar doente. Não vibrarei quando você tiver êxito no trabalho. Você não vai me ver ficar rica. Estaremos um sem o outro. É, eu fiz de tudo para estar assim: sem você.

1 comentários:

Emmeline Clayre Vieira disse...

Bom Julia, como o menino anteriormente disse, admito que também gostei.
Às vezes pensamos uma coisa e na verdade é outra completamente diferente.
E que bom que a vida é assim: "Um eterno aprendizado!"

Até mais =]