segunda-feira, 6 de julho de 2015

A moda do politicamente correto

Você está em dia com a moda? Então tenho certeza de que você é uma daquelas pessoas vigilantes das atitudes politicamente corretas. A regra número um é: não estacione na vaga de deficiente físico. Se você fizer isso, fará parte do pior da sociedade, da escória mesmo. Os vigilantes politicamente corretos estão em toda parte. Eles são seres humanos interessantes. Cuidam da atitude alheia, com maestria, mas descuidam da educação. Outro dia uma amiga contou que estava parada em uma vaga de deficiente e passou uma mulher e a xingou de tudo, inclusive de brasileira. Ora, ora, ora. #somostodosbrasileiros É moda também defender os direitos individuais nas redes sociais, mas se você sentar para conversar com 50% de todos aqueles que trocaram a fotinho no face pela bandeira colorida, vai escutar um discurso conservador e nada a favor do casamento gay. Está na moda ser politicamente correto. E assim nossos parlamentares vão inventando projetos de lei. Outro dia li que existe um projeto para que pessoas obesas tenham preferência nas filas. Mais uma seara para os vigilantes da vida politicamente correta se aventurarem e ocuparem o precioso tempo que têm. Mas os vigilantes mais xiitas mesmo são aqueles dos direitos animais. Outro dia no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, fui agredida com palavras de baixo calão, dentre as quais puta foi a mais amena, porque eu estava usando um colete de pele de coelho. Não respondi nem um ai. Não valia a pena comprar a briga. Mas uma senhora me defendeu: "que direito essa menina tem de defender um animal, se ela não respeita o próprio ser humano?". Me senti melhor. No mundo que vivemos hoje, ter respeito e educação pelo espaço e ideia alheia é a melhor vigilância que podemos difundir.

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